quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Das miopias sentimentais



Você viu minha pose de moça durona e difícil, assim como também viu eu me despir dessa indumentária que não me serve confortavelmente. Viu meu humor ácido de mulher bem resolvida transformar-se em insegurança de menina mimada. Viu minha tranquilidade de falar em público sobre assuntos que saem no jornal, mas também me viu balançar o pé freneticamente antes de dormir e ser tomada por uma crise de ansiedade inexplicável. 
Viu aquela lagrimazinha no canto do olho que rimava com um bico característico do descontentamento se transformar em pranto. Viu o quanto posso ser grosseira se sentir a necessidade de me por na defensiva, mas também me viu sem defesa nenhuma. Viu minha mão estendida pronta a ajudar, mas viu também meu pedido de socorro.
Viu meu riso mais inocente, assim como viu meu lado mais malicioso. Me viu corar de vergonha, do mesmo modo que me viu perdê-la em segundos. Viu meus medos e me viu criar coragem. Viu a personificação da satisfação quando sua mão me acariciava a face, ao mesmo passo que viu a do descontentamento quando você teve de me deixar. 
Viu meus defeitos mais escondidos, a minha entrega dificultosa. Meus sonhos transformados em frases de efeito que não mostrei pra ninguém, além de você. Viu minha regra e minha exceção. Me viu dormir e acordar. Me viu ser menina e mulher. 
Você me viu nua. De roupa e de alma. E depois de tanto ter visto, eu me pergunto: como não conseguiu enxergar o quanto gosto de você?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Outras tantas letras trancafiadas



Oi, tudo bem?
Sei que tinha aberto uma exceção para minha promessa de não fazer promessas e prometi a mim mesma que nunca mais te mandaria nenhuma mensagem sequer. É que como te contei, cumprir promessas nunca foi meu forte.
Só que não foi à toa não. Estou descumprindo minha jura para comigo mesma porque hoje eu fui ao cinema. Fui assistir aquele filme que eu queria ter assistido contigo e que só pelo trailer sei que você amaria (mas que a covardia me impediu de te convidar). E eu chorei, chorei muito, um choro preso. Impedido de sair dessa vez não pelo orgulho, mas porque eu tinha medo de que se eu chorasse por nós, eu te tiraria de dentro de mim sem conseguir mais por de volta.
Mas voltando para o foco dessa tentativa de diálogo e para o meu objetivo de te fazer entender, vamos ao motivo de eu ter despencando em lágrimas no meio de um cinema lotado. Foi a trilha sonora, pequeno. Foi àquela música do U2 que você me mandou em uma quarta-feira à noite, que me tirou o sentido das coisas, dando uma lógica para aquele sentimento (assim paradoxal mesmo).
Não consegui prestar muita atenção no filme, a música me tomou por completo. Assim como você fez comigo. E eu só consegui continuar a chorar. Só que dessa vez não tinha a tua mão para me acalmar, nem teus olhos mansos a me sussurrar que isso é coisa da vida, que não passa assim depressa, mas que a gente aprende a lidar.
A verdade, pequeno, o real motivo pelo qual eu digito cada letrinha dessa mensagem ridícula é que você ao mesmo tempo em que me roubou a independência, me abriu uma brechinha na janela e mostrou através de um feixezinho que o mundo podia ser um tantinho meu e que não há razão nenhuma para eu não me permitir. Antes de você e desse misto de serenidade e caos que você se faz, eu sabia e queria me virar, rapaz. Só que ultimamente anda tão difícil me cuidar sozinha...
E eu me perco dentro das minhas próprias palavras. Não consigo prosseguir com meu raciocínio, inicialmente tão lógico e perfeito, não só por ser essa a minha especialidade. Mas é que fica meio difícil, quando a organização daquilo que falo disputa lugar com a tua imagem dentro da minha cabeça. Como de feitio meu (e como você já deve estar imaginando e rindo por dentro) eu tenho que dramatizar tudo, então crio uma cena: você com o ar mais lindo do mundo de “não era isso que eu queria para nós”, lendo por cima dos óculos cada letrinha digitada sob um lapso de impulsividade, suspirando e falando no silêncio do teu meditar  que era disso que você tinha medo, de eu gostar demais de você e acabar nesse sentimento unilateral que me toma agora.
E bem aí nesse momento do script, se eu pudesse te tomava nos braços e invertia a posição. Era eu quem ia te consolar e dizer para não se culpar. Assumiria outra vez a posição do meu ascendente, sendo perfeita geminiana, te passando calma e desapego. Lembrando que eu tinha plena consciência do barco em que eu navegava, que eu tinha assumido – desde o primeiro beijo – o risco de ele afundar. Seria a minha vez de te falar, pequeno, que isso é surpresa da vida, que eu ia me refazer e que nós conseguiríamos ser bons amigos.
Três grandes problemas nessa cena final:
a) eu não consigo mentir para você;
b) a alma leonina me faz toda paixão;
c)nós nunca mais seremos somente bons amigos.
Ok, os caracteres da mensagem já estão se encerrando e eu já consigo me recompor. Queria, queria MUITO para falar a verdade, te pedir para repensar e voltar para juntinho de mim. Só que Bono Vox me disse que o amor não é uma coisa fácil e que eu tenho que andar. Para frente.  Mas agora, deixa eu encerrar de verdade, que apagar letra por letra dá um trabalhão.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Das mensagens que nunca enviei

 

Há uns 5 dias atrás eu mantinha o desejo fixo de que você pudesse conhecer uma versão mais tranquila e menos dramática que eu tinha certeza ter me tornado há pouco mais de um mês,  dois quem sabe. 
Eu pensava e me perguntava: se você tivesse conhecido esse outro eu, se eu tivesse sido tão menos dos problemas que eu fui e representei, teria sido diferente?
Eu queria muito acreditar que sim. Mas não teria. Nada ia ter mudado. 
Eu avisei que eu era especialista em afastar pessoas, alertei que eu tinha um dom muito forte em destruir o que eu tinha de bom com elas. Você me disse que não era para eu gostar tanto de você,  que podia ser perigoso. Mas nós dois ignoramos os avisos de quem só queria o bem.  A vida não.  Ela não ignorou, ela foi atenta e certeira. 
Olha, tudo isso não deve fazer o mínimo de sentido. Na verdade, nada que venha da gente tem muito sentindo.  E isso me faz falta. Faz uma falta absurdamente horrorosa porque aprendi que o que dói nessa vida é aquilo que faz sentido.
Hoje me senti tão só no meio de tantas pessoas e só me veio uma pessoa a cabeça,  só você - aos olhos do meu cérebro que não tem nada de racional - parecia capaz de escutar todos os meus medos. E eu tenho tantos...
Mas tudo parece tão distante,  parecemos duas pessoas que conheci há uns anos atrás, tem horas que parece que a gente nem existiu. 
E eu senti um ódio muito grande disso tudo.  Até eu entender de verdade que eu não posso me esquivar dessa coisa toda de sentir,  que eu não controlo, que eu não sou imune. Entendi que por mais expectativas não criadas, promessas não feitas, a gente vai esperar sempre algo do outro alguém. Algo que as vezes é caro demais e que não pode ser exigido. A verdade é que as pessoas vão magoar a gente, mesmo que elas não queiram, menos pior que a gente escolha quem vai deixar essas cicatrizes. 
Eu não "só queria dizer" alguma coisa com isso tudo. Eu queria dizer muito,  queria dizer muito mais do que minhas palavras não relidas são capazes de expressar. E eu entendi também que eu nunca vou conseguir dizer tudo aquilo que preciso.
Agora, só queria poder te ligar, te pedir para vir aqui me dar um abraço, me fazer companhia nessa droga de vida nova que me trouxe tanta coisa boa. Eu tive um lapso do que eu sou de verdade. E sou egoísta o suficiente para querer me sentir compreendida.
Vou sentir vergonha,  vou me arrepender no instante em que eu apertar no botão para enviar e que essas palavras bagunçadas acumularem volume a sua caixa de entrada. Mas alguém me ensinou que o coração tem que ser seguido,  mesmo que o caminho que ele tome naquele segundo destrua a gente.  
Já no fim, como de praxe, não concluo meu raciocínio porque eu me sinto ridícula. E não tem mais você aqui para me dizer que eu não sou. 
E nem vai ter. 
Mas em parte, todo mundo é um pouco, não é?

terça-feira, 7 de julho de 2015

Desencontros



Em uma daquelas nossas noites de devaneios você foi bastante incisivo ao afirmar que queria ter me encontrado  em outro momento da vida. Eu, como de costume,  calei e guardei para mim a certeza de que na minha vida você só encontraria espaço naquele instante. 
Você com o coração carregado de angústia,  sentindo ainda na boca o sangue quente - fruto de um golpe certeiro que a vida te deu, cheio de feridas abertas mas repleto de vontade de viver.  Eu, do outro lado do abraço, compartilhando da mesma ânsia de me embriagar com liberdade,  com o peito ainda tomado por alguns ferimentos,  mas pela primeira vez, com o coração desarmado.
Entende agora? Consegue ver o que a vida fez com a gente?  Não podíamos ter nos encontrado em outro momento,  meu rapaz. Torcer para esbarrarmos por aí em "melhores momentos da vida" seria matar esse amor antes mesmo que ele nascesse,  apagá-lo sem dar possibilidades para que ele fosse escrito.
Eu sei, eu sei. Fica na boca um gostinho de derrota que o clichê gosta de chamar de "quero mais" e que a gente tenta mascarar com um gole de cerveja. Fica aquela angústia no peito.  Aquela raiva da vida e da gente mesmo. Uma frustrações por não ter seguido em frente,  por termos sido covardemente corajosos para não ver aonde podia dar. Bem sei o quanto dói abrir mão de algo sem motivo nenhum.
E aí a gente se consola calados. Dizendo que esse prenúncio mudo de fim é só para não magoar.  A gente fica com o peito cheio de dúvidas, derramando lágrimas feitas de "porquês" no mais barulhento silêncio.
Não nego, queria respostas.  Muitas respostas.  Mesmo que elas me destruíssem. Mas deixa. O orgulho me abraça e me consola. Deita comigo todas as noites e me diz que vamos manter as aparências e ser bons amigos.  A vida me manda engolir o choro e carinhosamente me enche de tapinhas nas costas, zombando de mim e me lembrando que "não foi dessa vez".

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sobre a fundamentação do amor




A gente não começa amar alguém porque esse tal faz coisas grandiosas. Mas a gente ama porque observou que quando ele faz o pedido para o garçom sempre traz consigo um ‘por favor’ e quando recebe tem sempre um obrigado a espera. Porque quando ele sorri fecha os olhos e se entrega completamente aquele pequeno gesto. A gente começa a amar alguém porque em uma quinta-feira à tarde você pega a pessoa cantarolando bem baixinho aquela música que te fere o coração. Porque quando ele declama um poema a entonação dele é linda. Você ama esse alguém porque ele morde a boca e ri com os olhos quando quer te provocar.
Você ama alguém pela forma como ele passa da segunda para terceira marcha. Pelo modo como foleia um livro, pelos filmes que ele já assistiu, pelas músicas que escuta, pelo olhar por cima dos óculos e pelo gosto em comum pela cerveja. Você ama alguém pelas piadas sem graça, pelo humor sarcástico e pela capacidade que ele tem de te irritar. Pela forma como ele dorme e pelo modo como enrosca os pés aos seus. Pelo bico que faz quando fica zangado, pelas mãos na cintura quando tenta se mostrar surpreso, pela negação que é ao tentar contar uma mentira. Pelo olhar distante que soa triste e misterioso, pela poesia que ele exala. Você ama alguém pelas marcas que o outro carrega, mesmo que você não consiga identifica-las.
Amar outra pessoa não pressupõe muitas coisas. São os detalhes que chamam atenção, é o mínimo que prende. Aquilo que (quase) ninguém percebe é o que apaixona. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Sobre deixar ir




Hoje senti uma vontade tremenda de te ligar. Senti uma vontade quase incontrolável não só porque quando liguei o rádio, às 6 da manhã, ouvi coincidentemente aquela música que você me mostrou quando eu me sentia a pior  pessoa do mundo.  Nem por eu ter feito brownie e ter vontade de deixar um pedaço na tua caixa de correio. Ou por eu ter lido um texto do Gabito que seria ideal para tua entonação perfeita. 
Senti uma vontade desesperadora de ouvir tua voz porque ando sentindo saudades. Com "s" mesmo. Denunciando ser ela, então,  várias.
Ando sentindo uma falta enorme das mensagens inesperadas que queriam saber o paradeiro do meu emocional e de como andava a minha vida, mesmo que a gente tivesse se visto há poucas horas. Ando sentindo saudade das tuas brincadeiras que sempre me tiravam do sério e me deixavam mais leve, do teu sarcasmo e das tuas ironias ácidas.  Sinto falta da tua trilha sonora que se encaixava perfeitamente na minha história. Da liberdade que eu encontrava quando estava presa nos teus braços.  De você em um dia chuvoso e da sua mão apertando a minha para aliviar meu medo pueril de trovões. Do teu riso manso e do teu beijo quente.
Sinto falta dos teus pés esquentando os meus e dos teus "eu gosto de você",  me esquentando o coração.  Sinto falta das tuas teorias meio malucas que quando se misturavam com as minhas mais doidas ainda, resultavam nos melhores planos que o universo já viu. Sinto falta do teu cheiro, do teu cigarro e da tua mania de não tirar os olhos dos meus quando queria me dizer alguma coisa em silêncio. Sinto falta do teu colo e da  proteção que eu sentia quando me jogava nele. Sinto falta dos teus puxões de orelha e do cuidado que eu nunca recebi de ninguém.  Sinto falta dos teus conselhos sobre como tornar a vida mais leve e ter o coração em paz. Sinto falta do modo como você,  sem muito esforço, conseguia deixar minha vida mais leve e meu coração tomado de paz. Sinto falta de te ver ceder e de ceder,  vez por outra.  Sinto falta de me sentir compreendida e incompreendida também.  Da tua companhia para uma cerveja em uma quarta-feira a tarde. De fingir que a ligação às duas da manhã foi puro descuido e traição dessa tal tecnologia. De passar horas selecionando o melhor assunto para te chamar atenção, como quem nada quer. Sinto falta do teu sentimento de indignação por o mundo ser como é e dessa revolução que teu peito grita. Sinto falta do poesia que você sabe ser e do poema bonito que a gente formava quando juntos. Sinto falta até da tua teimosia e do teu orgulho que batiam de frente com a minha birra.
Mas o que me faz mais falta nesse exato minuto é a coragem de te dizer que falta você me faz.
 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Das premonições

Às vezes o coração pede coisas bobas e imotivadas das quais não se pode e, por algum motivo, não se consegue fugir. Naquele dia, quando entrei naquele bar que a gente tanto gostava, o meu só pedia para que eu te observasse, para que te olhasse e gravasse cada detalhe do teu rosto, cada traçozinho que eu achava a coisa mais linda do mundo e cada imperfeiçãozinha que fascinava.
Certa vez, alguém disse que algum elemento do meu mapa astral faz de mim um ser intuitivo. Acho que tenho que começar a acreditar de verdade nessas coisas de astrologia. Era só meu peito pedindo para firmar um contrato de tortura com a lembrança.
Me sentei no canto mais escondido e te observei, cansado, fumando rapidamente três cigarros e meio. Acho que te observaria por toda a noite. Mas fui impedida pela minha mania de pontualidade e por um aperto estranho no peito, que me fez querer ser lembrada. Sentei na sua frente e te sorri, recebendo de volta um esboço de felicidade. Eu nunca gostei de pessoas felizes mesmo...
Meu coração apertou mais.
Respirei fundo e quis soltar o costumeiro “tá tudo bem?”. Mas a sua pressa em fazer tudo sempre com calma e cautela foi bem mais rápida. Antes da minha pergunta previsível e do perigo de despertar em você um sentimento de pena, meus ouvidos foram tomados com aquilo que eu temi por tantas vezes e que meu sentir afirmava acreditar, só por pura superstição. Só para que todo aquele pensamento negativo desse sorte ao ser contrariado e cumprisse sua sina de estar sempre errado. Mas não. Dessa vez não.
Você não fugiu dos meus olhos. Para ser coerente com o início do seu discurso, que relatava querer ser uma pessoa decente, pelo menos uma vez na vida, você me encarou da forma mais mansa para dizer a coisa mais dura que eu podia escutar. Disse que eu era boa demais, não para você, mas para mim mesma, para vida. E que por isso, você tinha de ser sincero comigo. Você me disse pausadamente, sem tomar intervalos, sem sequer respirar, que ali era nosso ponto final. Que não era justo aquilo que a gente vivia. Não precisei te dizer nem uma vírgula para que você respondesse as interrogações exclamadas que eu te fiz em silêncio. Você vomitou um monte de coisas, sobre aquilo que é perfeito pros livros, mas bonito demais para ser vivenciado.
Senti o estômago embrulhar e o coração apertar mais ainda. Respirei fundo diversas vezes para segurar as lágrimas que ameaçavam cair e denunciar o desespero que tomava conta de mim. Senti meu corpo se fragmentar, tive a impressão de que estava desmoronando. Vi a muralha de proteção que eu tinha construído em torno de mim se rachar, quebrar inteirinha. Eu quis te falar um monte de coisas. Ah, como eu tinha tanto o que dizer. Mas o orgulho, velho conhecido nosso, me tomou logo, alegando ter a intenção de colar as migalhas de mim.
Você me tocou a mão. Não evitei seu gesto, não levantei abruptamente, nem te esmurrei de raiva. Meu olhar dançou dos teus dedos que me acariciavam em despedida para teus olhos que declaravam matar ali uma culpa que nunca havia existido. Tentei gravar teu cheiro forte e teu ser inconsequente. Te esquecer nunca foi minha intenção.
Você me questionou se eu não tinha nada o que dizer, lembrou como eu preciso me livrar dessa dificuldade de falar. Balancei a cabeça para um lado e para o outro.
Quis te pedir para não ir, para ficar, para me dar mais meia chancizinha. Quis te dizer que eu estava sem chão, por isso não conseguia levantar para ir embora. Quis dizer que eu não queria ir embora, que eu não queria que você fosse embora. Quis dizer que eu não tinha ideia do que ia fazer com todas as músicas que cantavam nosso amor, com todos os poemas que declamavam nossa história, com o gosto da cerveja que lembrava nosso gosto e nem comigo mesma, que parecia nem mais existir.
Mas eu não pedi, eu não disse nada. Dei o rosto para um amigável beijo de despedida e engoli. Engoli junto com a cerveja as palavras que eu nunca falei, uma saudade tremenda e um orgulho ferido. A única coisa que não desceu e que ainda me entala é todo esse gostar de você.